Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Muito além do cinema...

Em Veneza (no 65 º Festival Internacional de Cinema realizado em setembro) viu-se muito mais que a arte estampada na película delicada e cara dos filmes expostos. Viu-se exposta o drama e a vontade dos índios Kaiowás em se fazer ouvir, ver e acreditar.

A atriz Eliane Jucá (uma índia Kaiowá, em seu primeiro trabalho no cinema) fala para comunidade internacional cinematográfica do seu aperto, da dor e do sonho em poder novamente ver seu povo tratado com a mesma atenção que ela, como atriz, foi tratada.

Sua atuação no filme (Birdwatchers -Terra Vermelha) e na vida são exemplares!! Parabéns Eliane.

Não poderá ser uma luta em vão!

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

A gurizada do Trampolim.

Foram semanas intensas de preparação dessa garotada querida (e de outros dez) que valeram a pena.
O tempo foi curto mas muito bem aproveitado. É sempre delicado o trabalho de imersão no universo de qualquer roteiro, ainda mais quando temos pequenos jovens com uma energia de dar gosto. É preciso muito cuidado...
Preparar, encaminhar, ensinar, conduzir, trocar...seja qual for a denominação é de encher os olhos e acalentar a alma quando vemos surgir no espaço vazio o ato dramático de um ator. Experientes ou não, esse brilho visto e sentido dá a razão e a intensão de que no cinema tudo e todos são possíveis. Basta delicadeza e paixão. "Viu"!!
Saudades de vocês e uma ótima filmagem pessoal. Tô aqui torcendo....Bóra!!!!
Uma olhada no site do filme vale a pena: http://www.trampolimdoforte.com.br/

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Saltando com o TRAMPOLIM DO FORTE


Um novo processo de atores começa em Salvador/BA. O Trampolim do Forte. Produção da DocDoma com o apaixonado pela cidade, pelo cinema, João Rodrigo - o diretor e uma equipe incrível.
Há um jeito baiano de ser, todos sabemos. E haverá um jeito bonito, bacana e massa de junto dessa garotada fazer um filme arretado, onde todos nós, adultos, crianças e afins possamos nos orgulhar e nos divertir.
Bóra pessoal - que há muito pra ser feito.

Processo de atores Birdwatchers - fotos e vídeos

FOTOS











VÍDEOS

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(depoimentos sobre a preparação)


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(Ritual Kaiowá onde fui batizado)

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Atores Kaiowás em Veneza.

Estive ontem no aeroporto de Guarulhos abraçando e matando a saudade de Ambrósio, Abrísio, Alicélia, Eliane e Kiki. Amigos Kaiowás, que o cinema me presenteou.
Prestes a embarcarem para Veneza, os atores de Birdwatchers, se mostravam tranquilos quanto a responsabilidade que o trabalho realizado por eles no filme impõe. É o cinema com ares democráticos permitindo a todos o direito a expressão de sua cultura, de suas idéias e de suas qualidades artística por meio de personagens ficcionais em histórias reais.
A elite do cinema mundial, em Veneza, encontrará os Kaiowás. Será revelador!
Cinco deles representando uma população imensa de indígenas a espera, infelizmente, de um instante de atenção. Não estão oprimidos, mas em luta constante por seus espaços, ideológicos e territoriais.
E que hoje, pelo caminho do cinema de Marco Bechis e de sua produção, como protagonistas desta obra filmográfica terão a chance de ir um pouco mais além do limite de suas próprias moradas.

Avante amigos! Boa sorte e boas palavras, faladas e ouvidas.



(um instante da preparação com Kiki e Abrísio)

(Eliane Jucá e Alicélia)


(com Ambrósio em Guira Roka)

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Trailer - Birdwatchers



http://www.birdwatchersfilm.com/news/wp-content/uploads/2008/07/trailer.html

(assista ao Trailer do filme clicando no link acima)

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

...ainda sobre Birdwatchers.

Eis que se aproxima o momento da estréia de Birdwatchers. Será em setembro no Festival de Cinema de Veneza. Um filme de Marco Bechis com o povo Kaiowá de Dourados/MS. Um convívio de aprofundamento no campo vasto e ainda bem desconhecido do processo de ator, ou melhor, da alma primeira do ator: nós mesmos. A cada momento, cada instante junto deles uma imensidão de questionamento, sofrimento, deslumbramento e descobertas ocorreram. Não voltei de lá um kaiowá (quem me dera), mas o cinema jamais será o mesmo, pra mim, após estes dias incríveis.

Dê uma olhada no site do filme: http://www.birdwatchersfilm.com/

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Birdwatchers - Film by Marco Bechis em Veneza

DIÁRIO - 02
POR UMA PREPARAÇÃO DE ATORES SEM MÉTODOS
AO ESTILO GUARANI KAIOWÁ

O PROCESSO

A preparação de atores no filme dirigido por Marco Bechis foi além de todos os conceitos e todos os sistemas que já utilizei ou mesmo pensei um dia sobre o trabalho do ator no cinema. Único e exemplar. Depois de alguns meses convivendo diariamente com o povo indígena percebi o quanto é possível ser verdadeiramente "outro" sendo você mesmo diante de uma câmera. Explico melhor: o estado lúdico que os índios Kaiowás conseguem atingir é visceral e revelador. Sem máscaras ou artifícios entregam-se rapidamente ao jogo dramático sem meios termos e sem cerimônias. Fizeram de si próprios narradores atores de situações imaginárias com a mesma verdade da dura vida real que levam. Eram sempre eles nas improvisações, só que com outros estados de ânimos e emoções sugeridas por mim durante o processo.
E como foi esse processo que deveria caminhar no sentido de não perder a força natural e espontânea dos kaoiwás? Topei o grande desafio de Marco que não queria cena nenhuma ensaiada antes do set de filmagem. Então conduzi os atores indígenas por um caminho de buscar incertezas – já que, por serem um povo em constante luta, sempre prontos a tudo, com força e convicções, precisavam adquirir esse novo estado diante do outro, que não o inimigo, o outro com um olhar amistoso os perseguindo com uma câmera na mão. Propuz então um repertório que não agredisse nem alterasse o estado físico e emocional deles. Das incertezas deste novo momento diante da câmera eles percorreram por um vasto e intenso período de enfrentamento, com situações reais e imaginárias, desenvolvendo suas capacidades dramáticas a partir de improvisações que circundassem o roteiro. Veio então a certeza que esperávamos...
E o aprendizado desta nova descoberta se deu pelo encantamento. Do encantamento dos homens, mulheres, crianças...dos indivíduos Ambrósio, Abrísio, Kiki, Alicélia, Eliane, Poli, Seu Nélson e todo povo Kaiowá individualmente. A descoberta de serem atores e atrizes aconteceu quando, diante de outros atores profissionais do filme, se perceberam iguais, nem menos, nem mais. O ator “branco” (como eram chamados carinhosamente) se misturou com eles e assim, como a quinhentos anos passados, olhou para esse povo admirado e se encantou. Estavam ali, diante deles, os atores indígenas do filme de Marco Bechis: lindos, intensos e orgulhosos de mais uma luta vencida. Preparados para, no momento da ação de filmar, responderem as orientações do diretor, com a "tal" verdade cênica e principalmente, propondo soluções além do próprio universo real numa recriação de suas dores, angustias e luta.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

POESIA NO ATO - NO ESTADO - NO SER

Revisitando o filósofo e pensador Edgar Morin...

"O estado poético pode ser produzido pela dança, pelo canto, pelo culto, pelas cerimônias e, evidentemente, pelo poema. Fernando Pessoa dizia que, em cada um de nós, há dois seres. O primeiro, o verdadeiro, é o dos nossos sonhos, que nasce na infância e continua pela vida toda. O segundo ser, o falso, é o das aparências, de nossos discursos, atos, gestos. Não diria que um é verdadeiro e o outro, falso, mas, efetivamente, a cada um desses dois estados correspondem dois seres em nós. A esse estado segundo corresponde o que o adolescente Rimbaud percebeu muito claramente, principalmente em sua famosa Carta ao vidente: esse estado não é um estado de visão, mas um estado de vidência"

...

"Em nossas vidas, convivemos com essa dupla existência, essa dupla polaridade"

Domingo, 22 de Junho de 2008

Sorte dos grandes goleiros.

Aos grandes goleiros lhes é dado, divinamente, a sorte. Não que eu seja um desses talentosos guarda-metas, mas também tenho (até então) tido encontros memoráveis nos filmes que realizei.

Não foi diferente em "O menino da porteira". E o mais lindo ainda foi que, num mesmo momento, me vi diante de opostos que já não se misturam mais, mas são, absolutamente, o complemento um do outro. Que desafio.
João Pedro e seus oito poucos anos, menininho de tudo, amigos dos cavalos e jeito encantador.
Daniel e sua alma incandecente de cantor, carreira musical sólida e um artísta apaixonado.
Pude intermediar esse encontro.
Conduzir ao mesmo tempo duas voltagens distintas para um mesmo curso final. Como se duas afluentes precisassem desaguar num rio misturando suas águas com coloração e forças opostas.
Para Daniel sobraram coisas mais técnicas. Um caminho árduo foi percorrido, horas e horas diárias buscando dar-lhe domínio para em seguida despertar-lhe a capacidade de abandonar-se. E engana-se quem acha que ele ficou no meio do caminho. Ele topou prontamente que precisavamos ir além da sua imagem como cantor. E fazê-lo desaparecer foi uma conquista dura e impressionante na forma de arrebatamento e verdade. Eis que então, com brilhantismo e dedicação apaixonada, revela-se um ator absorvido pelo ofício, atento, atirado e completamente entregue.
Joãozinho fez o caminho dos encontros suavizado pelo lindo jogo do faz de conta. A aproximação com as coisas da história, dos personagens, dos outros atores e com Daniel foi tratada e conquistada por meio do inusitado. Sem antever, pré determinar, decorar. Foi feito menino novamente, o da porteira, sem tirar nem pôr do João, só que agora com um estilingue na mão.

Eles estão juntos para sempre. Se vejam ou não novamente. Estão lá! Lindos, queridos e de uma imperfeição maravilhosa. O adulto que precisou inventar-se criança novamente para poder ser outro. A criança que, com atenção da maturidade perigosa, se fez responsável para trabalhar junto a outros homens também (e que isso seja tratado sempre de forma cuidadosa a não interromper a meninice de ninguém).
Oh gente boa também os outros atores deste filme com quem cruzei...
E eu estava lá, sortudo ou não, estava.
Comungando, aprendendo, gostando...
E gostei.


(João Pedro e Daniel)

Sobre árvores e esquecimentos


Cada vez mais (ou menos como quiserem, depende do ponto de vista) ao aprendizado de cada processo de preparação, me sinto confiante em dizer da necessidade de um estado além, para uma pessoa - ator experientes ou não - "ser" algum outro diante da câmera.

Homens, mulheres, crianças seja você quem for...não atuem, por favor!..se esqueçam, se percam, gritem enlouquecidamente diante do espelho e vejam de olhos fechados o quão escuros somos por dentro. Aí então, respirem com o coração e não tenham medo do sofrimento, da angústia e da paixão. E verão, certamente verão, com os olhos deste coração antes frio, que atuar é o que menos importa ao ator e que é preciso desaparecer, sumir com suas máscaras e suas fortalezas para um "tal" encantamento ser arrebatador, digno de surdos aplausos e lágrimas de gozo.

...

Já se nasce assim? Com essa tal coisa misteriosa, própria dos atores e atrizes iluminados?

...

Poucos são entendidos, mas muitos admirados.

...

E eu fico atento ao meu encontro com eles (não falo das divas do teatro nem dos astros do cinema). Num trabalho, num filme assistido, numa conversa. Doido para cada vez mais rápido vê-los através do olhar mecânico da câmera e poder sentir-me diante de um poema, de um "Pessoa", de um abismo...

...

(eis um trecho de Passagem das Horas aos que atuam...)
"...
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
...

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
..."
(Álvaro de Campos)

...

Enfim...

Sábado, 29 de Março de 2008

Eu, o menino, a porteira e novas velhas histórias


Comecei a alguns dias preparação de atores para o remake de sucesso dos anos 70 "O MENINO DA PORTEIRA" e que terá novamente a direção de Jeremias Moreira, a produção da Jerê Filmes e será protagonizado pelo cantor Daniel.
Quando penso que os desafios no cinema acabaram eis que me vejo plenamente envolvido numa jornada em busca da complexidade do ser ator na pele do artista cantor com todas as suas incoerências e plenitudes de arrebatamento.
Extrair para pulverizar. Absorver a verdade cênica onde a dor e a delícia ficcional são mais reais que a própria imperfeita realidade.
Eis um caminho iniciado. Onde não há novamente métodos nem mestres. Apenas o rompimento das estruturas de sustentações antigas que permitem o deslumbramento diante do novo, do forte e da representação mais arrebatadora visível aos nossos dóceis olhos nus.
Breve mais...agora minha alma apenas permite dizer isto, cansado que estou.

Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Birdwatchers - Film by Marco Bechis

DIÁRIO - 01
POR UMA PREPARAÇÃO DE ATORES SEM MÉTODOS
AO ESTILO GUARANI KAIOWÁ



O chão é de terra batida e de um avermelhado intenso. O sol é o do meio dia, mesmo sendo dez horas da manhã ainda. Não há árvores por perto apenas cabanas distantes umas das outras, bancos de madeira e um grupo desconfiado de índios Kaiowás de todas as idades. Crianças, senhoras, rapazes e moças...e Ambrósio, o líder deste grupo indígena da aldeia Guira Roka em Dourados/MS.

Tudo muito estranho...tudo muito novo...tudo inexplicavelmente confuso e bárbaro.

Ao centro deste grupo humano, arquetípico e atento sou instigado a começar. É me dado a palavra e a permissão para agir diante deles, mostrar...ser o que vim a ser. Ensinar! Mas o que?

Após muitos minutos à espera de Ambrósio (que depois entendi ser uma forma de me testar e observar fazendo-me aguarda-lo por mais de hora no primeiro dia, meia hora no segundo e sendo pontual no terceiro), da dança ritualística deles e da reza, me vejo - ou melhor - me vêem estático e absorvido pelo sol e pela terra quase como uma árvore que ali nasceu e que não pretende se mover por muito e muito tempo. Solitário navegador terrestre diante da cultura milenar querendo se comunicar, compartilhar, atuar.

Sou um ator bissexto, diretor de teatro e estava preparador de atores neste momento único e vivido por poucos (ou quase nenhum nestas condições). Preparar atores indígenas? Preparar não atores indígenas? Que ambição, que desafio, que maravilha. Antes, no entanto, precisava ser preparado. E o preparador que se deixa ser preparado é um sábio. Primeiro ouve, absorve, recebe e crê. Comunga - como fiz neste primeiro dia com eles - da experiência rica e viva de estar presente junto daqueles que um dia foram a essência deste país. Raiz profunda da cultura e do saber. Vasto, sagrado instante, repito, em que, ao invés de agir com meia dúzia de exercícios aprendidos nos filmes da vida e nas salas de aula de um escola de teatrinho qualquer e mostrar um "método" infalível de preparação de atores como os vendidos por aí me fiz vazio de tentáculos profanos e respeitosos.

Parei.

Olhei

Senti.

Estava ali um dia pro resto da minha vida lembrar...

E uma história que estava apena pra começar...

Obrigado amigos Kaiowás pela preparação. Para o resto da vida...


(continua...)

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Carnaval colegial - cegueira geral

Além da cegueira genial e metafórica dos componentes da Comissão de Frente da Tom Maior mais alguns participantes da tal "festa" de momo insistem em - numa real representação - seguirem cegos ao que vai se transformando os desfiles das "escolas" de samba.
A beleza e a irreverência sintomáticas estão sendo substituídas por julgamentos sem critérios e notas colegiais. O "encantado" tem o mesmo valor que o "formal e certinho". O bom-razoável é tratado igualmente ao genial e arrebatador.

Tal qual uma equação de escola: se levo uma hora, alguns segundos ou mesmo se colo para resolve-la, terei a mesma nota. Sinto-me no banco escolar, prestes a receber a reprovação do severo professor, com medo de errar e sem permissões para ousar...sinto-me por vezes, nestas ocasiões, um verdadeiro cretino fundamental (como diria Nélson Rodrigues) com plumas e paetês.

Que olhar é esse sobre a avaliação da "arte"? É arte o que insistimos em fazer nestes desfiles engessados e pré-moldados?

Julgar, avaliar, criar, passar de ano....
Já passamos, já passou.

O carnaval? Ah...o carnaval só no ano que vem...graças a Momo!!!
(foto - site Terra)

(foto - site O Estadão)

PS. Parabéns Guillerme, Juliana, Naira, Vagner, Sérgio, B.A., Jésse, Leandro, Júlio e Juva. Vocês foram de cegos a brilhantes!

Parabéns e obrigado Diego pela assistência e dedicação!

Parabéns Tom Maior pelo 5º lugar.

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

A Cegueira no Carnaval - TOM MAIOR

Comissão de Frente da TOM MAIOR
O CARNAVAL como palco de expressões, reduções e repetições. O carnaval e seus desfiles delirantes como palco para réplicas da sociedade que insiste em fechar os olhos para o incomum mais fútil e fatal. Cegueira total.

A TOM MAIOR terá personagens representando a ausência de um olhar mais profundo sobre as realidades da vida. "Vejo", dirão muitos. "Mas o quê?", perguntarão outros.

A COMISSÃO DE FRENTE, deste ano, tratará desta reflexão. Visionários de quê? Visionários cegos com suas bengalas e apoiados aos ombros uns dos outros? Nos levarão até onde?
Perguntas divertidas e inquietantes que o brilho e a folia do carnaval não poderão apagar...

É ver para crer.

Parabéns meninos e meninas por este trabalho.
Parabéns pelo desafio aceito...e acreditem...é apenas fechar os olhos e se atirarem...

Pular para dentro da cena aberta e brincar.


(na madrugada de sábado dia 02 às 2:50 horas da manhã desfile da TOM MAIOR)

Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Ahh, esses personagens transgressores...

Há um direito, um dever usurpado no carnaval de São Paulo. O de estimular a prática das adversas loucuras dionisíacas estéticas, éticas e febris.
Um direito de sentirmos cada vez mais, ao vermos personagens vivos e delirantes, o que Bispo do Rosário sentia - abre aspas:
"Louco é igual beija-flor, nunca pousa, sempre está a dois metros do chão" - fecha aspas.
Viva as criações doidivanas e viva Kaká DiPoli* e sua capacidade de nos deixar inquietos e alçados por onde passa.
Esse é um carnaval desfilante mágico e divertido.

*fotos do site Uol da Comissão de Frente da Leandro de Itaquera que criei e dirigi em 2005.

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Os Kaiowás e eu.

O filme já foi rodado...
Dois meses se passaram...
Eu estou aqui, em São Paulo...
Meus amigos Kaiowás em Dourados...
Um processo de preparação de atores, de preparação de vida como nenhum outro que se tenha notícias...
Verdadeiro, instigante, revelador e incrivelmente "enlouquecedor".

Saudades...

Breve escreverei um pequeno relato dos fantásticos quatro meses e meio em que convivi com os índios guaranis kaiowás preparando-os para atuarem no filme de Marco Bechis.

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Oficinas Querô - SESC/Santos

Estive na semana passada em minha terra mais que natal, Santos, para conversar com os alunos das Oficinas Querô e dar uma palestra na unidade SESC. Os meninos e meninas tão realmente levando a sério esse "negócio" de fazer cinema. Foi lindo!
As oficinas são fruto da continuidade do trabalho de preparação de atores do filme "Querô" de Carlos Cortez e produção Gullane Filmes. É muito bom ver que uma iniciativa pontual e relativamente simples pode dar um belo resultado.

E pensar que quando iniciei a coordenação dos trabalhos lá atrás, a mais de dois anos, o que vemos hoje era apenas um devaneio meu, do Carlos e da Débora. Nem sonho...devaneio mesmo.
Apostar no jovem que aposta em si é batata!! Criar mecanismos facilitadores e estimular a capacidade individual artística, técnica e administrativa deles é gerar um campo florido como poucos que vemos por aí. Casa, rua, bairro, cidade são invadidos pelo olhar delicado que cada jovem participante possui.

Meninos que passaram desapercebidos na película do Carlos hoje são notados em festivais de cinema como diretores, em filmes publicitários e na TV. São realizadores, e é disso que precisamos. Outros, agregados posteriormente, recebem a carga positiva e desenvolvem um caminho de aprendizados, pertencimento e troca. Vão as ruas para, com uma câmera, registrar aquilo que cada um se proporciou: oportunidade.

E que nossos caminhos se cruzem muito por este vasto mundo das possibilidades...Parabéns!

"O Magnata" - Alma de moleque!!!

Foi muito bom assistir a estréia de "O Magnata" e rever tão queridos amigos. "O Magnata" é um filme que se propõem a ser o que é! Uma direção segura e ágil, um roteiro pra molecada jovem e interpretações bem definidas e afinadas em toda sua heterogeneidade.

Foi muito gratificante ver o resultado de um trabalho intenso (pouco mais de um mês) de preparação.

E novamente foi importante encontrar e descobrir o caminho a trilhar neste processo, seja com o Paulo, com a Rosane ou com os outros atores.

O tempo que nos deram foi muito pequeno, mas os esforços foram redobrados para finalizarmos a preparação e o levantamento das cenas.

Cada filme é um filme. E deixar claro que não existe um método é minha maior segurança. Acredito na novidade daquilo que encontro, quem encontro e em qual situação futura iremos viver. E assim...viver!

Esse é o método!!?!?

Parabéns "MAGNATAS"!!!!

Um Ensaio sobre a Visão no Carnaval

Citando Manoel de Barros: "As pessoas vêem, os poetas tem visões..."

O que aconteceria se todos nós, sem distinções, tivéssemos visões ao invés de "simplesmente" enxergar? Ao contrário da obra de José Saramago e sua inquietante cegueira interior, que tal se o mundo de hoje pudesse ver além do horizonte criado e determinado por outros e não pela gente toda?
Ter a visão arrepiante daquilo que é belo mas se esconde por trás das obviedades fúteis e do brilho vazio. O aconteceria no mundo?
Ontem cegos completos e hoje visionários do cotidiano mais simples e não menos maravilhoso. Quem permitiria tamanha afronta destas? Quem será o corajoso atrevido a romper com o conformismo e abrir os olhos - pois é apenas isso que precisa ser feito - para tais "visões?


O carnaval - longe, por vezes, de oferecer tais regalias - deve ser também palco de reflexões. É isso que eu quero, é disso que eu preciso.
O movimento de bundas ondulantes e das plumas delirantes deixo para outros tantos, afeitos aos luxos e a superficialidade cansativas do reinado de momo.

O espetáculo carnavalesco necessita de ares renováveis e critérios mais artísticos e menos engessadores. Retornar ao princípio ético da festa. Princípio esse que se transformou numa estética repetitiva e burocrático...

VIVA A IRREVERÊNCIA E A LOUCURA dos dias de folia!!!

VIVA!!!!

Comissão de Frente TOM MAIOR 2008:" VIM, VI E VENCI - UM ENSAIO VISIONÁRIO SOBRE A VISÃO".
Uma representação dos primeiros que aqui (São Paulo) estiveram e viram, mas não os últimos que verão!!

É ver para crer!!!